• Dia do Psicólogo

    O dia do Psicólogo é comemorado no Brasil em 27 de agosto, data em que a profissão foi regulamentada no país, por meio do Decreto de Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962.

    O psicólogo é o profissional da área da saúde que estuda o comportamento humano inserido em um contexto social, e sua interação com a comunidade. É por meio do conhecimento das características psicológicas, emocionais, comportamentais e sociais, das crenças e dos valores do indivíduo, que o psicólogo atua no diagnóstico, prevenção e tratamento de diferentes transtornos mentais, visando a adaptação e a promoção da saúde psicológica das pessoas. A sua atuação pode contemplar especialidades diversificadas em consultórios, clínicas, hospitais, escolas, empresas e organizações públicas e privadas, jurídicas, esportivas, sociais e outras.

    Dentre as diversas atuações pertinentes à Psicologia, destaco a Psico-Oncologia, que é uma especialidade dedicada ao cuidado psicossocial da pessoa com câncer, de sua família e da equipe multiprofossional, em todas as fases da doença. O psicólogo, como membro integrante da equipe oncológica, tem a função de reconhecer os processos psicológicos e sociais que o indivíduo utiliza para suportar o impacto emocional causado pela doença, e de oferecer uma assistência psicossocial de acordo com as necessidades individuais, com o objetivo de reduzir o sofrimento emocional e promover a adaptação ao longo da trajetória da doença.

    Aspectos psicossociais associados ao diagnóstico de câncer

    Os avanços ocorridos na área da Oncologia nas últimas décadas aperfeiçoaram os métodos de diagnóstico precoce e trouxeram tratamentos mais eficazes que estão elevando os índices de cura e de sobrevida de diversos tipos de câncer. Apesar do enorme progresso alcançado no controle da doença, os tratamentos oncológicos são prolongados e de natureza tóxica, com consequências que não são restritas apenas às questões físicas, mas que afetam também as dimensões emocionais, psicológicas, sociais e espirituais do doente e da sua família. Essas questões são frequentes e, quando não identificadas e abordadas de maneira apropriada, podem elevar os níveis de sofrimento emocional, se tornar um fator de risco para transtornos de ajustamento e comprometer a qualidade de vida.

    O impacto do diagnóstico de câncer é individual, podendo provocar diferentes reações psicológicas, emocionais e sociais, que são influenciadas por todos os significados e representações que o indivíduo atribui a ele. É comum sentir tristeza, insegurança, irritação, preocupação e temor em relação aos efeitos colaterais dos tratamentos. Essas manifestações, embora raramente representem uma psicopatologia, elevam o nível de tensão e comprometem o bem-estar emocional do ser doente e da sua família.

    O confronto com o diagnóstico impõe inúmeras demandas, até então desconhecidas, e contínuos desafios que podem interferir no seu funcionamento diário e representar uma ameaça constante à vida de algumas pessoas. Muitas vezes, o curso de sua vida é alterado significativamente e, atender as exigências da doença passa a ser a sua função principal. Normalmente, é preciso dedicar grande parte de seu tempo fazendo algum tipo de tratamento como quimioterapia ou radioterapia, realizando exames de avaliação, controlando os sintomas e comparecendo às consultas médicas. Além disso, ele precisa assimilar um grande número de informações e termos médicos, ao mesmo tempo em que tem que aprender a administrar as dificuldades físicas, emocionais, sociais e as questões financeiras que podem surgir com essa nova realidade. Frequentemente, as pessoas sofrem em silêncio, ao invés de procurar ajuda profissional para expressarem suas preocupações e dificuldades emocionais, o que pode aliviar a sobrecarga e facilitar o enfrentamento desse momento difícil. É comum o doente evitar buscar suporte psicológico especializado, pelos estigmas associados aos profissionais de saúde mental.

    Diversos fatores influenciam a capacidade de enfrentamento do indivíduo ao se deparar com a doença, que podem facilitar ou dificultar o seu processo de adaptação. Como por exemplo, o câncer é uma doença estigmatizada e temida pela maioria das pessoas. Muitos dos medos existentes estão baseados em mitos culturais e crenças errôneas, que irão induzir sentimentos negativos que elevam ainda mais o nível de tensão podendo, inclusive, comprometer a aderência aos tratamentos. Existe uma forte crença popular de que o paciente pode ser responsável pela própria doença, na medida em que não administrou apropriadamente os eventos estressantes que podem ter lhe causado o câncer. A falta de conhecimento sobre a doença é um fator que contribui para a perpetuação dessas crenças e, consequentemente, adicionam mais temores e desafiam a capacidade de enfrentamento da doença. Além disso, quanto mais rupturas e dificuldades a doença colocar para a pessoa, mais difícil será a sua adaptação. Como por exemplo, a fase da vida em que ela se encontra quando recebe o diagnóstico, pode determinar o significado de certas perdas, tais como: a perda da fertilidade, do sonho de um emprego novo, de ver um filho nascer e crescer, da sua aposentadoria. À medida que melhora o nível de conhecimento sobre a doença, os mitos associados ao diagnóstico de câncer são diluídos, e o processo de comunicação entre o paciente, seus familiares e equipe médica tende a ser mais aberto, sincero e efetivo.

    Por todos os aspectos mencionados acima, a assistência psicológica integrada aos cuidados físicos, possibilita a expressão de sentimentos, preocupações, necessidades e dificuldades emocionais associadas ao diagnóstico e aos tratamentos, nos diferentes estágios do adoecer. Há evidências científicas de que as intervenções psicológicas precoces, planejadas e prestadas de acordo com o perfil psicológico de cada pessoa doente, são úteis no contexto da oncologia, uma vez que auxilia: restabelecer o equilíbrio emocional, mobilizar os recursos internos, muitas vezes bloqueados pelo alto nível de tensão, estimular o uso de estratégias adaptativas de enfrentamento, promover a adaptação ao longo da trajetória da doença, minimizar os efeitos danosos que o estresse produz na qualidade de vida.

     

    Dra. Elizabeth Nunes de Barros
    Psicóloga do Centro de Combate ao Câncer
    Doutora em Oncologia, Especialista em Psicologia Hospitalar e em Psico-Oncologia
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