• Dia mundial sem tabaco

    Todos os anos, em 31 de maio, é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, que é uma data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987, para chamar a atenção mundial para os riscos à saúde associados ao uso do tabaco e defendendo políticas eficazes para reduzir o consumo de tabaco. Nesta data, sempre é escolhido um tema específico, sendo que para este ano de 2014, a ênfase da campanha da OMS é para que os países elevem os impostos sobre o tabaco.

    O tabagismo é considerado pela OMS a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Dados recentes indicam que o consumo de tabaco é responsável por cerca de 6 milhões de mortes a cada ano, incluindo 600.000 pessoas que são vítimas do fumo passivo. Caso estas tendências atuais sejam mantidas, por volta de 2030, aproximadamente 8 milhões de pessoas morrerão a cada ano em decorrência do uso do tabaco, sendo que 80% destas mortes são esperadas que ocorram entre pessoas que vivem em países de baixa e média renda.

    Desde 2005, o Brasil integra a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), idealizada pela OMS para estabelecer padrões de controle e soluções de longo prazo para o problema global do tabaco. A Convenção – Quadro é um compromisso internacional que obriga os países a proteger a saúde pública através da adoção de várias medidas para reduzir a oferta de tabaco. Uma das medidas do tratado exige que os países ofereçam de forma ampla e acessível, informações completas sobre a dependência, riscos e danos à saúde causados pela exposição ao tabaco.

    O Brasil está entre os países que aprovaram leis mais rigorosas para reduzir o consumo do tabaco, fazendo cumprir a proibição de publicidades e proibindo o fumo em locais fechados. Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo INCA em parceria com a Universidade de Georgetown (Estados Unidos), se o Brasil não tivesse implementado nenhuma ação de controle do tabaco, a prevalência de fumantes em 2010 seria de 31% (uma em cada três pessoas, com 18 anos ou mais, seria fumante). Entretanto, em 2010, a proporção de tabagistas no país foi estimada em 16,8%, evidenciando que ocorreu uma redução em cerca de 50% nos últimos 25 anos. Considerando os números do levantamento, calcula-se que pelo menos 420 mil mortes foram evitadas nesse período.

    Por meio destas ações, muitos avanços já foram alcançados, mas ainda há muito trabalho. A cessação do tabagismo envolve um processo de múltiplos estágios, com uma trajetória longa e difícil. A nicotina, presente no cigarro, é uma substância que produz dependência. É uma droga poderosa que atinge o cérebro em poucos segundos após a pessoa fumar, provocando uma ação química de prazer e certo relaxamento, o que estimula a pessoa fumar mais. A nicotina traz poucos riscos à saúde, porém seu maior problema está na alta capacidade de causar dependência. As doenças relacionadas ao tabagismo são devido às ações dos demais componentes adicionados na produção industrial do cigarro. Um único cigarro possui cerca de 4700 substâncias tóxicas em sua composição, que são responsáveis por aproximadamente 50 doenças, dentre elas estão as doenças pulmonares, as cardiovasculares e os diferentes tipos de câncer.

    Apesar de ser difícil, a dependência à nicotina tem tratamento e milhares de pessoas conseguem cessar o uso do tabaco para sempre, mesmo que não consigam parar na primeira tentativa. No início pode ser difícil, mas com um plano de mudança, determinação e perseverança, as chances de parar de fumar aumentam e farão com que o processo de parada seja mais fácil.

    As pesquisas indicam que cerca de 70% dos atuais fumantes gostariam de parar de fumar e que 90% dos atuais fumantes começaram a fumar na adolescência, com a intenção de só fumar alguns cigarros e parar quando quisessem. Outras publicações abordando este tema têm demonstrado que, embora muitos fumantes conheçam o risco potencial associado ao hábito de fumar, ainda assim eles permanecem fumando na ilusão de que a sua saúde nunca será afetada pelos males do cigarro, e desenvolvem a crença de que estão livres dos seus malefícios, uma vez que as pesquisas são falsas ou exageradas.

    A dependência do tabaco produz efeitos físicos, psicológicos e comportamentais. Entretanto, atualmente, podemos contar com métodos eficazes para a cessação de fumar que estão baseados em evidências científicas, com intervenções cognitivas e treinamento de habilidades comportamentais, abordagem farmacológica, terapia de reposição de nicotina, ou a combinação de todas as modalidades terapêuticas. Muitos fumantes sentem medo do fracasso e, por isso, sentem-se inseguros e não tentam. Vale ressaltar que a recaída faz parte do processo de parada definitiva e não deve ser visto como um sinal de fraqueza ou fracasso. Especialistas dizem que a maioria dos indivíduos que conseguiram parar de vez com o cigarro fizeram outras tentativas anteriores.

    Considerando a relevância destas iniciativas e, em apoio às políticas e ações mundiais para conter o uso de tabaco, o Centro de Combate ao Câncer (CCC) criou um Programa de Cessação do Tabagismo. O programa conta com uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogas e nutricionistas, que são profissionais capacitados para oferecer uma abordagem diferenciada, empenhado em oferecer um esquema de tratamento apropriado para cada pessoa que deseja parar de fumar.

    Por todos estes motivos, nós comemoramos o dia de hoje, defendendo o propósito de que impostos mais elevados sobre o tabaco implica em um menor número de fumantes, menos mortes e comunidades mais saudáveis.

    Prepare-se para se ​​sentir confiante em sua capacidade de ficar sem fumar hoje, e celebre esta data especial!

    ELIZABETH NUNES DE BARROS
    Psicóloga, mestre em oncologia, coordenadora do Setor Psicologia do Centro de Combate ao Câncer

    Referências Bibliográficas
    World Health Organization. World No Tobacco Day 2013. Geneva, Switzerland: World Health Organization; 2013.

    Available at http://who.int/tobacco/wntd/2013/en/index.html

    World Health Organization. WHO Report on the Global Tobacco Epidemic, 2013.American Cancer Society – ACS
    www.cancer.org

    Instituto Nacional do Câncer – INCA
    www.inca.org.br

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