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    Dia Nacional de Combate ao Fumo

    A maioria dos fumantes afirmam ter consciência de que o tabagismo é prejudicial à saúde e que precisam deixar de fumar. Esse foi o resultado de uma pesquisa recente, realizada em 13 países, incluindo o Brasil, que levantou dados com uma amostra de 17.421 entrevistados, com idade de 18 anos ou mais, envolvendo pessoas fumantes, ex-fumantes e não fumantes (Foundation for a Smoke-Free World).

    Cessar o tabagismo é uma decisão difícil e pode exigir várias tentativas. Existem  vários motivos associados ao hábito de fumar, que interferem no estado de motivação para deixar de fumar. A maioria dos fumantes desenvolvem um vínculo afetivo com o cigarro e o associa tanto a momentos de prazer, como também o utiliza como fonte de apoio para enfrentar situações de estresse. Mesmo diante dos dados de pesquisas mundiais evidenciarem os efeitos danosos do tabaco na saúde, muitos fumantes conflitam essa ameaça e utilizam mecanismos psicológicos de defesa para aliviar o desconforto mental, e se apoiam na crença de que a sua saúde nunca será afetada pelos males do cigarro. Evitam identificar os motivos pelos quais continuam fumando e dão justificativas como:

    Entenda as razões que dificultam deixar de fumar

    Na verdade, é muito difícil para o fumante reconhecer que fuma porque precisa e não porque quer. O poder viciante da nicotina é a principal causa da dependência química do tabaco. Quando inalada, a nicotina é captada por receptores no cérebro em poucos segundos, que por sua vez liberam substâncias químicas ligadas à sensação de prazer e relaxamento. O potencial da nicotina induzir dependência é tão forte, que a maioria dos fumantes fazem uso diariamente. É uma droga estimulante, que cria a necessidade da pessoa fumar mais, provocando efeitos físicos, psicológicos e comportamentais. Entretanto, as pessoas adoecem, não pela ação da nicotina em si, mas devido às ações dos 4.700 componentes tóxicos que são adicionados na produção industrial do cigarro.

    O cigarro é a forma mais comum de consumir tabaco, porém existem outros derivados, como o bidi (cigarro indiano enrolado à mão), o kretek (mistura de folhas de tabaco), os charutos, cigarrilhas, cachimbo e narguilés. O consumo de tabaco, em qualquer uma de suas formas, causam efeitos danosos à saúde de todos os que estejam expostos a ele, sejam ou não fumantes.

    Fumar é um comportamento aprendido e está atrelado a imagens sociais que promovem o senso de autonomia e liberdade, muitas vezes associadas a pessoas que são bem-sucedidas. Esses símbolos influenciam principalmente os adolescentes, por estarem em uma fase da vida de grandes transformações e vulneráveis às influências do grupo social e dos meios de comunicação. Estudos mostram que o hábito de fumar começa por volta dos quinze anos e a probabilidade do indivíduo se tornar um fumante diário é de 69%. Estes dados reforçam a necessidade e a urgência de ações governamentais específicas para prevenir que os jovens comecem a consumir produtos derivados do tabaco. Atualmente, existem as tabacarias, onde é autorizado por lei o consumo de derivados do tabaco, como cigarros, charutos e narguilés. As tabacarias são ambientes fechados, contendo mesas e cadeiras, semelhantes à de bares e lanchonetes, local em que são disponibilizados narguilés no centro das mesas, para que sejam compartilhados com os amigos.

    O uso do narguilé se tornou um “símbolo social”, que atrai milhares de jovens a aspirarem a fumaça que é produzida, estimulados pela cor, sabor das essências e pelo ato de estar reunido com um grupo de pessoas e compartilharem entre si as mangueiras conectadas ao aparelho central. No entanto, os médicos alertam para os seus malefícios, pois a concentração de nicotina contida no narguilé é maior em cerca de 100 vezes, comparada a um cigarro comum, podendo causar doenças cardiovasculares, pulmonares e alguns tipos de câncer. Além disso, o uso coletivo do aparelho, eleva o risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, como hepatite, herpes e tuberculose.

    Outra estratégia que vem sendo utilizada para substituir os cigarros convencionais, é o uso crescente de cigarros eletrônicos, também conhecido como “vapers”. Os aparelhos surgiram na década passada, como uma tentativa de substituir os cigarros convencionais. Os adeptos defendem a ideia de que o produto não é nocivo, porque a fumaça produzida é apenas vapor de água. Todavia, os especialistas afirmam que, além de conter nicotina, os cigarros eletrônicos contêm substâncias e essências de frutas, que causam danos à saúde.

    No Brasil, a comercialização dos cigarros eletrônicos foi proibida em 2009, pela Anvisa (resolução RDC 46/2009), porém o uso pessoal não é vetado. Não há evidências que demonstram os efeitos gerados pelo uso desses dispositivos, nem são conhecidos os produtos das substâncias após o aquecimento. A propósito, esse assunto virou notícia essa semana, devido à publicação de que um homem morreu após desenvolver uma grave doença respiratória, cuja causa está sendo associada a complicações do uso de cigarro eletrônico.

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama a atenção para a necessidade de haver mais vigilância e regulação do consumo do tabaco e de seus derivados, como os narguilés, cigarros eletrônicos e aquecidos, uma vez que além de prejudiciais para a saúde, esses produtos podem levar ao vício de fumar e para outros vícios, principalmente, entre a população jovem.

    O Brasil tem alcançado uma redução significativa da prevalência de fumantes nos últimos anos, atribuída às políticas de controle do tabaco implementadas no país. Um relatório sobre a Epidemia Mundial do Tabaco divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil é um exemplo mundial de sucesso no combate ao tabagismo. Os dados mostram que o país atingiu a meta global de reduzir o número de fumantes para 15% da população, atribuída às ações governamentais para a redução do consumo de tabaco.

    A despeito da redução significativa nas taxas de pessoas que fumam, os índices de mortalidade ainda são preocupantes, exigindo políticas e ações mais efetivas, que auxiliem a cessação do vício entre os fumantes que querem parar, previnam que os adolescentes comecem a fumar, e implementem abordagens educativas de proteção aos fumantes passivos. Tão importante quanto o fumante deixar de consumir tabaco é a conscientização dos males causados às pessoas ao seu redor, os fumantes passivos. É preciso educar e esclarecer sobre a repercussão do fumo passivo a um indivíduo não fumante, mas que convive com um fumante. Estudo científico publicado recentemente em periódico de especialidade médica (American Journal of Preventive Medicine) relata que filhos de pais fumantes, que ficam expostas à fumaça do cigarro por dez horas semanais, apresentam risco elevado de morte por doenças pulmonares, cardíacas e vasculares na fase adulta, quando comparados às crianças que não conviveram com fumantes.

    As razões para abandonar o consumo de tabaco são inúmeras e nunca é tarde para cessar. Aproveite o dia de hoje e invista no propósito de deixar de fumar. Esse é o ponto inicial para cuidar da sua saúde e usufruir de todos os benefícios por se tornar livre do uso do tabaco!

    Dra. Elizabeth Nunes de Barros
    Coordenadora do Programa de Cessação do Tabagismo do Centro de Combate ao Câncer

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