Conheça os efeitos colaterais mais comuns e esperados durante o tratamento quimioterápico e algumas dicas para atenuá-los.

A quimioterapia tem como principal objetivo eliminar as células cancerígenas que formam o tumor. Os medicamentos utilizados, na maior parte dos casos, não são capazes de diferenciar as células malignas das células normais. Assim, dizemos que a quimioterapia possui ação sistêmica no organismo do ser humano, ou seja, ela atinge tanto às células que formam o tumor quanto às células sadias. O resultado disso é o aparecimento de efeitos colaterais que são considerados normais ao tratamento e podem se manifestar tanto fisica quanto emocionalmente.

Há efeitos colaterais que podem exigir tratamentos específicos ou alterações no plano de tratamento do câncer. Os mais frequentes são queda de cabelo, ansiedade, náuseas, vômitos, anemia, fadiga e alterações renais e digestivas. É importante ressaltar que grande parte desses efeitos é transitória, variam entre os pacientes e em função do tipo e da combinação de drogas utilizadas. Sendo que a maioria dos efeitos desaparece assim que o tratamento chega ao fim.

Clique nos links abaixo e veja informações sobre os principais efeitos colaterais e as dicas que podem amenizá-los:

  • Alterações Sexuais

    As desordens sexuais são comuns e afetam cerca de 40% das mulheres e 30% dos homens. A incidência é ainda maior nas pessoas com câncer em função do resultado do tratamento ou do próprio tumor. Os problemas sexuais geralmente são causados por transformações no corpo decorrentes de cirurgia, radiação ou quimioterapia que podem causar alterações hormonais, fadiga, diminuição do desejo sexual, tensão, depressão e ansiedade.

    Essas alterações se manifestam diferentemente no sexo feminino e masculino. A quimioterapia na mulher pode provocar alterações nos ovários, mudanças nos níveis hormonais e menopausa precoce. No homem, a quimioterapia pode gerar mudanças hormonais, diminuição do fluxo de sangue no pênis e dano aos nervos que controlam o pênis. Essas alterações podem produzir impotência ou disfunção erétil.

    Alguns efeitos poderão melhorar com o término da quimioterapia. Por exemplo, é muito frequente homens e mulheres relatarem a perda do interesse sexual durante a quimioterapia e recuperarem o interesse ao terminar o tratamento.

    Alterações nas Mulheres

    • Sintomas de menopausa em mulheres que ainda não chegarama a esta fase, como ondas de calor;
    • Secura vaginal e irritabilidade;
    • Períodos menstruais irregulares ou ausentes;
    • Aumento da secreção vaginal e prurido (coceira) vaginal;
    • Falta de interesse sexual;
    • Sentir-se preocupada, tensa ou deprimida por não ter relações sexuais e muito cansada para ter relações sexuais.

    Alterações nos Homens

    • Não conseguir ter orgasmos;
    • Impotência;
    • Sentir-se preocupado, tenso ou deprimido por não ter relações sexuais e muito cansado para ter relações sexuais.

    Dicas para as mulheres

    • Converse com seu médico sobre a existência de alterações nas relações sexuais durante o tratamento quimioterápico. Elas são comuns na maioria das mulheres, mas sempre é melhor receber orientação de um profissional de saúde;
    • É muito importante não engravidar durante o tratamento quimioterápico, já que os medicamentos utilizados podem afetar o desenvolvimento do feto, sobretudo durante os três primeiros meses;
    • Se não estiver na menopausa, comunique a seu médico para que ele possa orientar sobre o melhor método anticoncepcional para você;
    • Em caso de secura vaginal, converse com seu médico para a possibilidade de prescrição de um produto para aliviar o sintoma;
    • Use roupas íntimas preferencialmente de algodão. Não use calças ou shorts apertados;
    • Em caso de sentir ondas de calor, evite usar muita roupa. Sempre tenha uma peça leve à mão com a qual possa se agasalhar em caso de esfriar;
    • Mantenha-se ativa, realize caminhadas ou outro tipo de exercícios físicos leves;
    • Reduza o estresse e pratique ioga, meditação ou outras formas de relaxamento.

    Dicas para os homens

    • Converse com seu médico sobre a existência de alterações nas relações sexuais durante o tratamento quimioterápico. É sempre melhor receber uma orientação de um profissional de saúde;
    • Use camisinha se tiver relações sexuais até 48 horas após receber quimioterapia. O uso de camisinha é recomendado porque pequenas doses de medicamentos quimioterápicos podem ficar no sêmen;
    • É muito importante que sua parceira não engravide enquanto você recebe tratamento quimioterápico. A quimioterapia pode danificar seu esperma e provocar efeitos colaterais sérios ao feto.

    Dicas para homens e mulheres

    • Conversem de forma aberta e honesta com o parceiro;
    • Procurem novas formas de compartilhar seus sentimentos e sua intimidade.
  • Anemia

    O tratamento quimioterápico pode afetar as células do sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). Isso ocorre porque os medicamentos atingem a medula óssea que pode reduzir a produção de glóbulos vermelhos, responsáveis por conduzir o oxigênio pelo corpo e, por isso, é necessário que o coração bombeie mais rápido para compensar esta deficiência. A anemia pode apresentar sintomas variados que incluem aumento do batimento cardíaco, falta de ar, fraqueza, tontura e fadiga.

    Dicas para o paciente

    • Tente dormir 8 horas todas as noites. Durante o dia, procure se deitar ou descansar uma ou duas vezes, por 30 a 60 minutos;
    • Limite suas atividades e atenha-se às realmente importantes;
    • Permita que outras pessoas o ajudem. Familiares e amigos podem auxiliar ao cuidar de crianças, ir ao supermercado, acompanhar as consultas agendadas ou realizar tarefas que necessitem de grande esforço;
    • Siga uma dieta balanceada, escolhendo alimentos que contenham as calorias e proteínas necessárias ao seu organismo. Tente manter o mesmo peso o maior tempo possível. Fale com seu médico, enfermeira ou nutricionista da equipe para receber orientação sobre a dieta mais benéfica.
  • Ansiedade

    É normal passar pelo sentimento intenso de medo ou receio em alguns episódios de nossas vidas. Durante o tratamento do câncer, não é diferente. Algumas preocupações estão mais presentes como a possibilidade de metástases, dor, dependência dos familiares e mudanças no corpo. A ansiedade é normal, desde a notícia do diagnóstico até o final do tratamento. Mas se atrapalhar a vida do paciente por um período prolongado, é recomendável procurar auxílio. A ansiedade pode ser classificada em:

    Aguda

    • Palpitações
    • Aumento da pressão sanguínea
    • Dor no peito
    • Falta de ar
    • Calafrios
    • Tontura e tremor

    Crônica

    • Preocupação excessiva e inquietação
    • Tensão muscular
    • Insônia
    • Irritabilidade
    • Fadiga
    • Dificuldade de concentração
    • Dificuldade em tomar decisões

    Dicas para o paciente:

    • Descubra especificamente o que faz você ficar nervoso e com medo;
    • Compartilhe os sentimentos com seu médico e seus familiares;
    • Tente dormir bem;
    • Evite cafeína e nicotina;
    • Pratique relaxamento;
    • Mantenha-se ativo e sociável.
  • Constipação

    A prisão de ventre (constipação) se refere à condição irregular do sistema digestivo e à consistência endurecida e ressecada das fezes. Ela é comum em pacientes submetidos a tratamentos contra o câncer e pode provocar dor, inchaço abdominal, perda de apetite, náusea e vômito.

    Dentro das causas de constipação estão o uso de medicamentos, a falta de atividade física, permanecer muito tempo prostrado, comer alimentos pobres em fibras e não ingerir suficiente quantidade de líquidos.

    Dicas para o paciente:

    • Beba bastante líquido;
    • Coma alimentos ricos em fibras como pão e cereais integrais, feijão e vegetais crus;
    • Prefira frutas como ameixa, banana-d’água (nanica), abacaxi, melão, laranja, mexerica, mamão, abacate, uva, manga, morango, kiwi e melancia;
    • Evite limão, banana-prata, banana-maçã, jabuticaba, goiaba, produtos de pastelaria e embutidos;
    • Dê preferência a carnes magras, aves e peixes;
    • Realize atividade física: caminhe, pratique ioga, ande de bibicleta ou faça alongamentos. No caso de não poder andar, pergunte ao médico que exercícios são possíveis de se realizar deitado ou sentado;
    • Os laxativos devem ser tomados somente sob orientação médica;
    • Ao sentir vontade de evacuar, faça o mais rápido possível e evite esforçar-se excessivamente para não provocar hemorroidas;
    • Fale com o médico ou sua equipe caso não tenha conseguido evacuar por mais de dois dias.
  • Diarréia

    A quimioterapia e a radioterapia, principalmente as aplicadas na região pélvica, podem causar alterações na mucosa do trato digestivo, modificando a absorção de líquidos e a composição da flora intestinal. A diarréia é consequência dessa alteração e acarreta excessiva perda de líquidos e eletrólitos.

    Outros medicamentos para tratar efeitos colaterais da quimioterapia, como constipação ou infecções, também podem provocar diarreia. É importante preveni-la ou tratá-la. O paciente deve notificar o médico ao menor sinal de dor, cólica ou na ocorrência de até quatro evacuações ao dia de fezes predominantemente desmanchadas ou líquidas.

    Dicas para o paciente:

    • Alimente-se várias vezes ao dia em pequenas refeições;
    • Hidrate-se, pois pode haver grande perda de líquidos e é preciso repô-los. Ingira aproximadamente dois litros de água por dia que podem estar distribuídos em sucos, chás, sopas, gelatinas, isotônicos e água de coco;
    • Beba lentamente e de forma constante. Evite líquidos muito frios ou muito quentes;
    • Coma alimentos com pouca fibra (arroz branco, torradas, bolachas, pão branco, batata, carnes magras e legumes cozidos).
    • Evite as gorduras;
    • Coma bananas, batatas e carnes que ajudam a manter um nível adequado de potássio, necessário para que os músculos funcionem convenientemente;
    • Evite verduras e frutas cruas, procure cozinhá-las;
    • Evite cafeína (café, chá-mate e chá preto), álcool, leite e derivados, gorduras, fibras, mamão, suco de laranja, suco de ameixa seca, repolho, brócolis, couve-flor, feijão, milho e alimentos temperados;
    • Mantenha a região anal limpa para prevenir irritações na pele;
    • Entre em contato com seu médico ou com a equipe responsável em caso de apresentar episódios diarréicos por mais de 24 horas.
  • Dor

    Há certas quimioterapias que podem provocar efeitos secundários como ardor, formigamento, lesões na boca, dor de cabeça, dores nas mãos, pés, musculares e/ou de estômago. Esses efeitos são causados tanto pela doença quanto pelo tratamento quimioterápico. Em caso de aparecimento de dor, o paciente deve conversar com o médico ou com a enfermeira para receber orientação.

    Dicas para o paciente:

    • Quando conversar com seu médico ou enfermeira descreva o local da dor, as características, duração e a intensidade (leve, moderada ou severa). Outras características devem ser citadas como desaparecimento espontâneo, ações usadas para aliviá-la e até se ela é constante. No caso de tomar algum medicamento, comente a frequência com que o toma, a quantidade e se está ou não ajudando;
    • Uma maneira bastante eficaz para controlar a dor é tomar os medicamentos prescritos pelo seu médico em horários regulares, mesmo se não estiver sentindo os sintomas no momento. Isso é importante, principalmente, em casos de dor constante;
    • Tome os medicamentos exatamente como seu médico lhe indicou. A dor é mais difícil de controlar se ficar esperando que passe. Não deixe que fique insuportável;
    • Relaxe, pratique meditação ou ioga. Isso pode ajudar a diminuir a tensão muscular, a ansiedade e a dor;
    • Comunique ao médico em caso de mudanças nas características da dor. Se isso acontecer, pode ser necessário modificar ou ajustar a medicação.
  • Fadiga

    A fadiga é uma das complicações mais frequentes associadas ao câncer e ao seu tratamento, particularmente à quimioterapia. A sensação costuma ser descrita pela maioria dos pacientes como um estado constante de letargia e fraqueza, cansaço, indisposição, sonolência, falta de ânimo e de energia. A anemia é um efeito colateral comum que também pode levar à fadiga ou agravá-la.

    Dicas para o paciente:

    • Anote todos os detalhes que puder observar, como em que período do dia ou da noite a fadiga costuma ocorrer e com qual intensidade. Discuta o caso com seu médico na sua próxima consulta;
    • Redefina prioridades e flexibilize os prazos para suas atividades, levando em conta as atuais condições físicas e reserve o período em que costuma estar fisicamente mais disposto para executá-las. A recomendação vale tanto para a vida pessoal quanto para a profissional;
    • Não hesite em pedir ajuda. Distribua entre seus familiares e amigos as tarefas que exigem muito tempo e energia;
    • Descanse, mas não demais! Vários estudos comprovam que o excesso de descanso pode baixar a capacidade do organismo de produzir energia;
    • Procure manter-se socialmente ativo;
    • Siga uma dieta equilibrada rica em ferro (vegetais de folhas verde escuras, fígado e feijão), vitaminas, proteínas e carboidratos.
  • Falta de Ar

    Há várias causas comuns de falta de ar (dispneia) nos pacientes oncológicos. Entre elas estão obstrução de vias aéreas, ansiedade, broncoespasmo, hipoxemia, presença de líquido nas áreas ao redor do coração ou dos pulmões, pneumonia, pneumonite de radiação, anemia e ansiedade.
    Ainda que não haja uma relação direta com o aparelho respiratório, é comum os pacientes apresentarem falta de ar em algum momento durante a evolução do câncer. A administração de oxigênio e opioides pode auxiliar na redução do sintoma, assim como os ansiolíticos, ministrados a pessoas com altos níveis de ansiedade. Alguns estudos mostram que a utilização de técnicas de relaxamento, controle da respiração e suporte psicossocial também trazem benefícios.

    Dicas para o paciente:

    • Busque ficar em um ambiente tranquilo e com temperatura agradável;
    • Abra as janelas;
    • Use um umidificador de ambiente;
    • Ao deitar, procure manter a cabeça elevada.
  • Febre e Infecção

    A febre é a elevação da temperatura do corpo e pode ser causada pela presença de diferentes substâncias na circulação sanguínea, sendo as infecções as principais responsáveis. No caso de pacientes com câncer, a febre vem comumente em decorrência da quimioterapia, que debilita as defesas do organismo ao reduzir a quantidade de leucócitos (glóbulos brancos), ficando desta forma sujeito a infecções que podem ocorrer em qualquer parte do corpo: olhos, ouvidos, cavidade oral, pulmão, trato intestinal ou urinário, entre outros.

    A fase de maior risco de infecção corresponde ao período de sete a 14 dias após a aplicação da quimioterapia. O médico precisa ser comunicado em caso de febre. O início precoce do tratamento com antibióticos é fundamental para o controle da infecção nos indivíduos que têm queda dos glóbulos brancos (leucopênicos). O médico pode recomendar a aplicação de medicamentos para acelerar a reposição dos leucócitos, iniciar tratamento com antibióticos ou modificar a dose e o tempo de intervalo das aplicações de quimioterapia.

    Existem vários tipos de glóbulos brancos: linfócitos, monócitos, basófilos, eosinófilos e neutrófilos. Durante o tratamento quimioterápico, os neutrófilos podem alcançar valores baixos, caracterizando a neutropenia. No caso de apresentar neutropenia no exame de sangue, é importante o paciente ficar atento a qualquer sinal de infecção. Ele deve verificar, por exemplo, se está febril ou não. E, em caso de febre, comunicar ao médico.

    Dicas para o paciente:

    • Lave as mãos sempre com água e sabonete antes das refeições, após usar o banheiro, assoar o nariz, tossir, espirrar ou tocar animais;
    • Evite o contato com pessoas doentes. Isso inclui pessoas resfriadas, gripadas, portadoras de sarampo ou catapora;
    • Evite o contato com crianças que receberam vacinas contra catapora ou pólio;
    • Evite circular em locais com grande número de pessoas (cinemas, estádios, igrejas). Opte por frequentar esses locais em horários alternativos, ou escolha locais com menor fluxo de pessoas;
    • Tome cuidado para não se cortar. Evite o corte das cutículas dos dedos dos pés e das mãos;
    • Caso utilize qualquer tipo de cateter ou sonda, acautele-se contra infecções. Comunique ao médico se houver o aparecimento de alguma secreção, vermelhidão, inchaço ou dor;
    • Realize higiene bucal adequada sem ferir bochechas, gengivas e língua. Não use enxaguantes bucais que contenham álcool;
    • Cuide da sua pele. Evite coçá-la, pois as unhas podem arrastar agentes infecciosos. Não esprema cravos e espinhas;
    • Se eventualmente acontecer um corte, limpe imediatamente com água e sabonete e, se possível, com um antisséptico. Caso a cicatrização demore mais do que o costume, comunique ao seu médico;
    • Tome cuidado quando estiver perto de animais. Lave as mãos depois de acariciar seu animal de estimação, não limpe bandejas sanitárias ou recolha os dejetos. Se seus animais de estimação estão acostumados a dormir na sua cama, será hora de mudar isso;
    • Lembre-se de lavar bem todos os vegetais e frutas. Não coma peixes, mariscos, nem ovos crus. Cozinhe bem todos os alimentos, sobretudo carnes que podem ter bactérias potencialmente infecciosas;
    • Contate seu médico em caso de febre, calafrio, ou sudorese. É importante que ele saiba se você teve algum desses sintomas.
  • Insônia

    A insônia se caracteriza pela dificuldade em dormir, manter-se dormindo ou voltar a dormir. Ela não é um efeito direto da medicação quimioterápica ou da radioterapia. Entretanto, os mais diversos efeitos colaterais dos tratamentos podem interferir na qualidade do sono dos pacientes.

    Ao longo do dia a insônia pode causar desconfortos como cansaço, perda de energia, falta de concentração ou irritabilidade. Isso acaba afetando não apenas a disposição, mas também a qualidade de vida e da saúde. Há medicamentos que podem ajudar a aliviar a insônia, porém, só devem ser usados por curtos períodos de tempo e sob orientação médica.

    Dicas para o paciente:

    • Evite ou consuma moderadamente café, álcool e nicotina, especialmente à noite;
    • Encontre maneiras de relaxar como um banho quente, meditar ou ouvir música à meia-luz;
    • Pratique atividade física;
    • Evite forçar o sono, pois pode gerar ansiedade e deixá-lo mais alerta;
    • Habitue-se a deitar e levantar no mesmo horário;
    • Evite refeições pesadas antes de deitar-se;
    • Busque um ambiente tranquilo, escuro e com temperatura agradável;
    • Restrinja o sono durante o dia e limite o tempo em que permanece na cama.
  • Mucosite

    A mucosite é uma inflamação que pode levar a pequenas feridas na mucosa da boca e ocorre, com certa frequência, durante o tratamento quimioterápico. Uma vez detectadas as lesões bucais, o cirurgião-dentista realiza o tratamento odontológico apropriado para eliminá-las. Uma sensação de queimação na garganta também pode se desenvolver e gerar dificuldade para engolir (disfagia).

    Dicas para o paciente:

    • Consulte seu dentista antes do início do tratamento para que os possíveis focos de infecção possam ser identificados e removidos;
    • Realize inspeções diárias em busca de feridas, pontos vermelhos ou brancos e sinais de dor. Nesse caso, avise o médico imediatamente;
    • Seja rigoroso com a higiene bucal como escovação cuidadosa, aplicações tópicas de flúor regularmente e controle alimentar;
    • Chupe gelo ou picolé durante o tratamento ou quando sentir a boca seca e irritada;
    • Prefira uma escova macia, pasta de dente fluoretada e enxágue a boca com água e sal;
    • Faça bochechos com água bicarbonatada (1/2 copo de água filtrada e 1 colher de café de bicarbonato de sódio). Repita o procedimento até seis vezes ao dia;
    • Não utilize soluções para enxágue bucal que contenham álcool em sua fórmula;
    • Evite bebidas gasosas e alimentos duros, secos, ásperos, muito condimentados ou apimentados;
    • Ajuste a dentadura adequadamente, remova-a durante a limpeza e evite seu uso em casos de irritação;
    • Evite alimentos ácidos (laranja, abacaxi, limão);
    • Prefira os sucos de maçã e os néctares;
    • Dê preferência aos pratos leves e macios (purês, legumes amassados, cremes, pudins, gelatinas);
    • Cozinhe os alimentos até que fiquem pastosos;
    • Mantenha os alimentos em temperatura ambiente ou levemente frios.
  • Mudanças na Pele

    O tratamento quimioterápico pode gerar mudanças na pele durante ou mesmo após o procedimento. As reações podem variar de secura, vermelhidão e até mesmo acne. Ao longo desse período, aumentam os riscos de queimaduras solares e escurecimento cutâneo.

    Na maioria das vezes, as mudanças menores de pele melhoram após o término do tratamento quimioterápico. Entretanto, algumas devem ser tratadas imediatamente, já que podem ser permanentes. Confira abaixo situações em que o paciente deve ficar alerta.

    • Reações menores
      Coceira, ressecamento da pele, erupções cutâneas, descamação e maior sensibilidade quando a pele é exposta ao sol.
    • Reações importantes
      Reação severa da pele em casos em que o local tenha recebido previamente radioterapia e/ou quimioterapia que pode causar dor, vermelhidão ou bolhas.
    • Extravasamento da medicação
      Em caso de dor ou ardência durante a administração da quimioterapia, o paciente deve comunicar o fato de imediato à enfermeira ou médico. Em alguns casos, a agulha por onde se introduz o quimioterápico pode sair do lugar, provocando esses sintomas.
    • Reações alérgicas à quimioterapia
      Comunicar imediatamente ao médico em caso de chiado no peito ao respirar, coceira na pele, aparecimento de rash cutâneo (sentir o rosto ficar vermelho e esquentar) ou urticária.
    • Radiodermite ou radiodermatite
      É uma lesão cutânea resultante de excesso de exposição à radiação ionizante, que geralmente se manifesta após uma ou duas semanas de tratamento.
    • Úlceras de pressão
      Também conhecidas como “feridas de cama”, trata-se de ulcerações que se formam onde há pressão constante em uma área do corpo por tempo prolongado.
  • Mudanças nas Unhas

    As unhas também podem ser afetadas durante o tratamento quimioterápico e tornarem-se mais escuras, frágeis, quebradiças e até mesmo cair. Após algum tempo, elas voltam a crescer.

    Dicas para o paciente:

    • Use luvas para proteger as mãos e as unhas ao lavar a louça, limpar a casa ou trabalhar em jardinagem;
    • Não use produtos que possam ser irritantes para as unhas e para as cutículas;
    • Evite retirar as cutículas quando fizer as unhas das mãos e dos pés;
    • Comunique ao médico em caso de mudanças nas unhas ou se as cutículas ficarem vermelhas e sensíveis.
  • Mudanças no Sistema Nervoso

    A quimioterapia pode causar efeitos colaterais no sistema nervoso. Alguns dos sintomas que podem aparecer são:

    • Formigamento, fraqueza e adormecimento nas mãos e nos pés;
    • Maior sensibilidade ao frio;
    • Dor ao caminhar;
    • Fraqueza, aumento da sensibilidade, cansaço e dor muscular;
    • Sensação de perda do equilíbrio (tontura);
    • Dificuldades para pegar objetos ou abotoar a roupa;
    • Tremores;
    • Diminuição da audição;
    • Fadiga;
    • Confusão e problemas de memória;
    • Depressão.

    Dicas para o paciente:

    • Comunique de imediato a seu médico se apresentar os sintomas descritos acima;
    • Procure caminhar lentamente, segurar em corrimões, utilizar tapetes antiderrapantes, remover obstáculos (cabos e tapetes);
    • Sempre use sapatos ou tênis com sola de borracha;
    • Use luvas se estiver cozinhando, lavando louça ou trabalhando no jardim;
    • Descanse quando se sentir cansado, não espere ficar fadigado;
    • Se você notar que sua a memória está falhando, solicite a um familiar ou amigo que lhe ajude a elaborar planos de horários para tomar a medicação no momento correto. É importante anotar qual medicamento deve ser tomado e comunique ao médico se ocorrer essa dificuldade.
  • Náuseas e Vômitos

    Existem tipos de quimioterapia que podem causar náuseas e vômitos. Enquanto algumas pessoas nunca sentem esses efeitos colaterais, outras podem senti-las intensamente. As náuseas e os vômitos podem aparecer minutos ou horas após o início da infusão da medicação e podem permanecer por dias.

    Se o vômito ocorrer de forma intensa e frequente, pode causar desidratação (perda de sal e água), desequilíbrio de eletrólitos (sódio, cálcio e potássio) e perda de peso. O vômito agudo acontece nas primeiras 24 horas depois do tratamento quimioterápico, enquanto o tardio persiste de dois a três dias. Para minimizar o desconforto dos pacientes, a medicina dispõe de antieméticos (medicamentos para controle de náusea).

    Dicas para o paciente:

    • Uma maneira de evitar os vômitos é controlar as náuseas. Para isso, a recomendação é consumir alimentos e bebidas de fácil digestão. Planeje sua alimentação, há pessoas que se sentem melhor quando comem antes da quimioterapia, outras preferem não comer nada. Entretanto, deve-se aguardar pelo menos uma hora após a quimioterapia para ingerir algum tipo de alimento ou bebida;
    • Realize cinco ou seis pequenas refeições. Não ingira muito líquido antes ou durante a alimentação e não se deite imediatamente após se alimentar;
    • Consuma alimentos e bebidas mornas e frescas;
    • Não consuma bebidas gasosas;
    • Evite alimentos e bebidas quentes ou fortes como café, peixe, cebola ou alho. Eles podem desencadear as náuseas e os vômitos;
    • Mantenha a casa com ar fresco e livre de odores. O cheiro do preparo de alimentos pode ser desagradável para o paciente;
    • Descanse após as refeições, de preferência sentado;
    • Abuse das torradas e dos biscoitos de água e sal, sobretudo pela manhã;
    • Relaxe e procure pensar em imagens positivas, que ajudem a mudar as expectativas e o temor relativos à náusea e ao vômito;
    • Antes do início da quimioterapia é bom relaxar praticando alguma atividade que goste como meditar, ler um livro ou escutar música. Isso fará com que sinta menos náuseas;
    • Verifique com seu médico se os medicamentos antieméticos estão fazendo efeito ou não. Comunique quando ocorrem náuseas e vômitos e a duração desses sintomas. Lembre-se de mencionar se vomitou logo após comer algum alimento, tomar alguma bebida ou algum medicamento.
  • Neuropatia Periférica Induzida pela Quimioterapia

    A neuropatia periférica induzida pela quimioterapia (NPIQ) é um dos motivos mais comuns para o abandono do tratamento pelos pacientes com câncer. Há a possibilidade de formigamento, dormência, pontadas, ardência e aumento da sensibilidade à temperatura. Ela começa geralmente nas mãos e nos pés, e sobe gradualmente pelas extremidades.

    A NPIQ também pode gerar dor intensa que dificulta a execução de tarefas rotineiras como abotoar a camisa, contar moedas ou caminhar. Cerca de 30% a 40% dos pacientes com câncer, submetidos à quimioterapia, experimentam algum desses sintomas. Pode ser um efeito colateral muito debilitante e não há como se prever quem vai sofrê-lo e em qual grau.

    Para algumas pessoas, os sintomas podem ser atenuados ao diminuir a dose de quimioterapia ou suspender temporariamente a mesma. Há casos em que sintomas permaneceram por meses, anos ou mesmo indefinidamente.

    Os sintomas da NPIQ são geralmente tratados de forma similar a outros tipos de nevralgia, ou seja, uma combinação de fisioterapia, terapias complementares (como massagem e acupuntura) e medicamentos que podem incluir esteróides, antidepressivos, antiepiléticos e opioides para controlar a dor severa. Entretanto, nenhum dos tratamentos citados mostrou ser verdadeiramente eficaz no tratamento da NPIQ e praticamente todos os medicamentos provocam outros efeitos colaterais. Os medicamentos quimioterápicos associados a NPIQ são: compostos de platina (cisplatina, carboplatina, oxaliplatina), vincristina, taxanos (docetaxel, paclitaxel), epotilonas, bortezomib, talidomida e lenalidomida.

  • Perda de Apetite

    Há fases do tratamento contra o câncer em que o apetite diminui, sendo fato recorrente durante as aplicações de quimioterapia e menos frequentes nos tratamentos radioterápicos. O paciente deve buscar alternativas alimentares que permitam manter seu peso e sua energia. É preciso aceitar as mudanças de apetite e paladar que podem ocorrer durante e depois do tratamento e entender que elas são transitórias.

    Dicas para o paciente:

    • Varie seu cardápio e planeje-o com antecedência;
    • Alimente-se levemente antes de ir dormir;
    • Não se preocupe em manter hábitos alimentares anteriores ao início do tratamento;
    • Capriche no café da manhã. Normalmente, os pacientes têm mais disposição para comer nessa parte do dia;
    • Consuma alimentos sólidos antes dos líquidos para evitar ficar saciado muito rapidamente;
    • Faça pequenas caminhadas a fim de abrir o apetite;
    • Procure usar leite fortificado na preparação de pratos, chocolate quente e vitaminas;
    • Adote suplementos alimentares industrializados de acordo com a indicação de seu médico;
    • Utilize ervas aromatizantes (manjericão, alecrim e orégano) para adequar o gosto dos alimentos.
  • Prurido (Comichão)

    O prurido é mais comum nos casos de leucemia, linfoma e mieloma (câncer de medula). Ele também é causado por insuficiência hepática ou renal, problemas de tireóide, reação a drogas, pele seca e urticária.

    Dicas para o paciente:

    • Coceira, ressecamento da pele, vermelhidão, rash cutâneo e descamação: esses sintomas podem ser aliviados com banhos curtos, usando uma esponja macia e um sabonete suave. Evite banhos longos e quentes;
    • Na hora de se enxugar, realize movimentos delicados e evite muito atrito com a toalha;
    • Use um creme ou loção após o banho;
    • Evite o uso de perfumes, colônias ou loções que contenham álcool em sua composição;
    • Não se exponha ao sol entre 10h e 16h. Em caso de sensibilidade, evite a luz solar direta;
    • Utilize um bloqueador com fator de proteção (FPS) mínimo de 30. Proteja também os lábios com batom ou protetor que contenha FPS de 15. Use roupas que protejam a pele, preferencialmente de cores claras, camisas ou blusas de algodão de mangas compridas, calças compridas, chapéus, bonés ou lenços;
    • Se houver alguma alteração na pele, comunique ao médico para que ele verifique se é uma reação ao tratamento ou não, e se existe a necessidade de realizar um tratamento específico para o problema.
  • Queda de Cabelo

    A perda de cabelo (alopecia) varia de intensidade dependendo da droga utilizada e de acordo com a pessoa que está em tratamento. Ela pode ocorrer em todo o corpo, mas é mais comum na cabeça. Há também casos em que não ocorre perda de cabelo, mas mudança de cor e de textura. Isso ocorre pois alguns tipos de quimioterapia danificam as células responsáveis pelo crescimento capilar.
    A queda, em geral, começa duas ou três semanas após o início da quimioterapia e pode ocorrer lentamente ou em mechas. A duração da perda de pelos varia entre algumas semanas e meses. Esse efeito colateral, normalmente, é temporário. Após o término da quimioterapia, os pelos e os cabelos também voltam a crescer em cerca de dois a três meses.

    Dicas para os pacientes:

    • Corte o cabelo (aos poucos ou todo de uma vez). Isso lhe dará uma sensação maior de controle sobre a queda e faz com que seja mais fácil manejar a perda;
    • Use bonés, bandanas, lenços;
    • Se preferir usar peruca, compre-a quando ainda tiver cabelos, escolhendo uma de tom parecido ao natural, confortável e que não machuque o couro cabeludo;
    • Tome cuidado ao lavar a cabeça e use um xampu suave, preferencialmente neutro. Enxugue a cabeça com uma toalha macia e com movimentos suaves, sem esfregar;
    • Não utilize artigos ou produtos que possam machucar o couro cabeludo como chapinhas, secador elétrico, tinturas para cabelo ou produtos de permanente;
    • Depois da queda do cabelo, é recomendável proteger a cabeça, especialmente o couro cabeludo, que pode estar sensível. Use chapéus, turbantes ou lenços;
    • Não fique em ambientes com temperaturas muito baixas ou muito altas. Use sempre um bloqueador solar para proteger o couro cabeludo;
    • Use travesseiros com fronha de cetim, tecido que cria menos fricção que os de algodão e pode ser mais confortável para dormir;
    • Fale sobre o que está sentindo em relação a perda de cabelos e não hesite em procurar ajuda psicológica. Muitas pessoas ficam chateadas, deprimidas ou envergonhadas com esse efeito colateral;
    • Lembre-se: seu cabelo voltará a crescer!

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Além de seus documentos pessoais, é muito importante que voce traga em sua primeira consulta seus exames mais recentes (anátomo patológico e exames de imagem) e o encaminhamento do seu médico.

 
 

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